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Archive for the ‘Literatura’ Category

Longe estou...

(foto: Rodrigo Honório)

É isso que eu quero.

Mas eu longe estou
precisando de algo…
…uma coisa, alguma
pessoa como você
me faz
tão bem
como se eu
fosse teu bem
querer você
me faz
melhor do que sou
cruel comigo mesmo
que eu não queira
te deixar, preciso
ficar só, mesmo
que eu não queira
me deixar sozinho
não sei
meu rumo
é incerto
se vou melhorar
sozinho
não sei
bem
tudo há de ficar
no seu devido lugar
de onde eu não devia
ter saído
com você
devia voltar
e ficar.

É isso que eu quero.

Mas eu longe estou. Estou precisando de algo. Estou precisando de alguma coisa. Coisa alguma! Estou precisando de alguma pessoa como você: você! Você me faz tão bem…! Como se eu fosse teu bem, teu bem querer! Querer você… Querer você me faz melhor. Você me faz melhor do que sou! Sou cruel comigo mesmo. Sou cruel comigo – mesmo que eu não queira: mesmo que eu não queira te deixar, preciso. (Preciso ficar…) Preciso ficar só, mesmo que eu não queira. Mesmo que eu não queira me deixar sozinho. Sozinho, não sei. Sozinho, não sei meu rumo. Sei: meu rumo é incerto. É incerto se vou melhorar – sozinho não sei… Se vou melhorar sozinho, não sei, bem… Bem tudo há de ficar. Bem, tudo há de ficar no seu devido lugar. Lugar de onde eu não devia ter saído: com você. Eu não devia ter saído com você? Devia. Devia voltar… e ficar.

É isso que eu quero:

...e ficar

(foto: Juliana Medeiros)

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Enquanto leio o livro “Da Criação ao Roteiro”, de Doc Comparato, encontro a transcrição do poema que acaba por me encantar.


HOMEM


INSOFRIDO TEMÍVEL ADAMADO PURO SAGAZ INTELIGENTÍSSIMO MODES­TO RARO CORDIAL EFICIENTE CRITERIOSO EQUILIBRADO RUDE VIRTUOSO MESQUINHO CORAJOSO VELHO RONCEIRO ALTIVO ROTUNDO VIL INCAPAZ TRABALHADOR IRRECUPERÁVEL CATITA POPULAR ELOQUENTE MASCARADO FARROUPILHA GORDO HILARIANTE PREGUIÇOSO HIERO­MÂNTICO MALÉVOLO INFANTIL SINISTRO INOCENTE RIDÍCULO ATRASA­DO SOERGUIDO DELEITÁ VEL ROMÂNTICO MARRÃO HOSTIL INCRÍVEL SERENO HIANTE ONANIST A ABOMINÁVEL RESSENTIDO PLANIFICADO AMARGURADO EGOCÊNTRICO CAP ACÍSSIMO MORDAZ PALERMA MAL­CRIADO PONDEROSO VOLÚVEL INDECENTE ATARANTADO BILTRE EMBIR­RENTO FUGITIVO SORRIDENTE COBARDE MINUCIOSO ATENTO JÚLIO PANCRÁCIO CLANDESTINO GUEDELHUDO ALBINO MARICAS OPORTUNIS­TA GENTIL OBSCURO FALAClOSO MÁRTIR MASOQUISTA DESTRAVADO AGITADOR ROÍDO PODEROSÍSSIMO CULTÍSSIMO ATRAPALHADO PONTO MIRABOLANTE BONITO LINDO IRRESISTÍVEL PESADO ARROGANTE DEMA­GÓGICO ESBODEGADO ÁSPERO VIRIL PROLIXO AFÁVEL TREPIDANTE RECHONCHUDO GASP AR MAVIOSO MACACÃO ESFOMEADO ESPANCADO BRUTO RASCA PALAVROSO ZEZINHO IMPOLUTO MAGNÂNIMO INCERTO INSEGURÍSSIMO BONDOSO GOSMA IMPOTENTE COISA BANANA VIDRI­NHO CONFIDENTE PELUDO BESTA BARAFUNDOSO GAGO ATILADO ACINTOSO GAROTO ERRADÍSSIMO INSINUANTE MELÍFLUO ARRAP AZADO SOLERTE HIPOCONDRÍACO MALANDRECO DESOPILANTE MOLE MOTEJA­DOR ACANALHADO TROCA-TINTAS ESPINAFRADO CONTUNDENTE SANTI­NHO SOTURNO ABANDALHADO IMPECÁVEL MISERICORDIOSO VOLUPTUOSO AMANCEBADO TIGRINO HOSPITALEIRO IMPANTE PRESTÁ­VEL MOROSO LAMBAREIRO SURDO FAQUISTA AMORUDO BEIJOQUEIRO DELAMBIDO SOEZ PRESENTE PRAZENTEIRO BIGODUDO ESP ARVOADO VALENTE SACRIPANTA RALHADOR FERIDO EXPULSO IDIOTA MORALISTA MAU NÃO-TE-RALES AMORDAÇADO MEDONHO COLABORANTE INSENSA­TO CRAVA VULGAR CIUMENTO TACHISTA GASTO IMORALÃO IDOSO IDEALISTA INFUNDIOSO ALDRABÃO RACISTA MENINO LADRADOR POBRE­-DIABO ENJOADO BAJULADOR VORAZ ALARMISTA INCOMPREENDIDO VÍTIMA CONTENTE ADULADO BRUTALIZADO COITADINHO FARTO PROGRAMADO IMBECIL CHOCARREIRO INAMOVÍVEL. (…)

Alexandre O’Neil
in Poesias Completas 1951/1986, Biblioteca de Autores Portugueses, Imprensa Nacional, Casa da Moeda, 3ª ed., Portugal, 1990, p. 336, 337.


E eu transcrevo Comparato: “essa diversidade infinita do ser humano”…

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