Feeds:
Posts
Comentários

Archive for maio \07\UTC 2009

O segundo Grande Prêmio de Fórmula 1 de 2009, na Malásia, foi encerrado antes do tempo por causa da forte chuva. Alguns sites especializados, como o Blog do Capelli(*) já resgataram histórias de outras corridas que, como essa, terminaram com menos de 75% das voltas completadas e que, por isso, só metade dos pontos foram computados para o campeonato.

Mas no dia dessa prova eu tive sorte e encontrei algumas raridades, antes mesmo de saber de tais informações. Como demorei para iniciar os posts no Pangés, então não farei apenas o levantamento de informações, pois já o fizeram. Vamos um pouco além…

Chuva lembra um certo piloto

A última corrida com pontos pela metade até então era o GP de Adelaide, na Austrália, em 1991. Após 14 voltas cheias de rodadas e batidas nos muros, Ayrton Senna venceu a corrida. Ele mesmo protestava pelo encerramento da prova já que, com tanta chuva, não havia aderência no circuito.

Ligada a essa história, uma outra, ainda mais interessante: antes de Adelaide, a outra corrida que terminou antes do tempo foi o GP de Mônaco, em 1984. Alain Prost foi o vencedor, mas perderia o campeonato por meio ponto para o companheiro de equipe Niki Lauda, que não pontuou nesta corrida.

Há especulações de que a prova foi encerrada antes do tempo não só por causa da chuva que caía, mas por causa de um certo piloto que ameaçava ultrapassar Prost e vencer: um tal de Ayrton Senna, estreante naquela temporada.

Testes proféticos

Em seu ano de estreia, 1984, Ayrton Senna marcou 13 pontos pilotando uma Toleman. A melhor corrida foi a sexta da temporada, em Mônaco. Antes dela, havia chegado duas vezes em sexto, abandonou em duas e não se qualificou para outra. Nas outras 10 provas da temporada, chegou duas vezes em terceiro e uma vez em sétimo. Houve muitos abandonos, pois o carro não tinha confiabilidade.

Antes de garantir sua vaga na Toleman, Ayrton fez quatro testes. No ano de 1983, ele estava na F3 Britânica. A vitória do campeonato, em que ganhou seis das nove provas, serviu para despertar de vez o interesse de grandes equipes da Fórmula 1.

Profecia 1: a primeira equipe seria a última

Ainda em 19 de julho de 1983, Senna fez seu primeiro teste. Quem o convidou foi Frank Williams, dono da equipe que carrega seu nome e na qual Ayrton correria pela última vez, em 1994. O jovem de 23 anos, que seria o mais novo no grid do ano seguinte, já começou quebrando o recorde para carros de motor aspirado na pista de Donnington Park.

“Hoje vou demorar uma eternidade para fazer essa reta” - Senna de volta a Donnington na semana seguinte para uma corrida de F3

“Hoje vou demorar uma eternidade para fazer essa reta” - Senna de volta a Donnington na semana seguinte para uma corrida de F3

Profecia 2: vencer os rivais na McLaren

No final de 1983, os pilotos que ficassem nas três primeiras posições na Marlboro F3 British ganhariam uma oportunidade de testar na McLaren. Além de – é claro – Senna, treinaram no mesmo dia Stefan Bellof e Martin Brundle. Os dois últimos dividiram o carro nº 8 de Lauda; Ayrton pilotou o nº 7, de Watson, carro que era mais rápido cerca de três décimos. Para não deixar dúvidas, o brasileiro fez sua melhor volta sete décimos à frente do segundo melhor, Bellof.

Ah, sim: os testes com a McLaren foram feitos no autódromo de Silverstone que, naquele ano, começava a ser conhecido como Silvastone, graças às proezas de Ayrton Senna da Silva naquela pista já na F3. Seu tempo nos testes também foi melhor do que os obtidos pelos pilotos titulares da equipe inglesa naquela prova em 1983.

"Ele é fácil de pilotar, com a direção mais leve que do meu Ralt de Fórmula 3. Tenho certeza que se tivesse feito mais voltas, baixaria meu tempo para 1min12s (2s abaixo de seu melhor tempo), até porque estava um pouco desconfortável, com a perna direita apertada, o que me tirou a sensibilidade no pé do acelerador" - Senna se desculpando após ótimo teste na McLaren

“Ele é fácil de pilotar, com a direção mais leve que do meu Ralt de Fórmula 3. Tenho certeza que se tivesse feito mais voltas, baixaria meu tempo para 1min12s (2s abaixo de seu melhor tempo), até porque estava um pouco desconfortável, com a perna direita apertada, o que me tirou a sensibilidade no pé do acelerador” - Senna se desculpando após ótimo teste na McLaren

Profecia 3: mais vale tecnologia do que braço

Naquele dia, Senna ainda destacou: “eu apenas começo a perceber como é que se ganha uma corrida de Fórmula 1, provavelmente: está mais no carro do que no próprio piloto, desde que o carro seja rápido e fácil de guiar você se torna um, dois segundos mais rápido, ou mais lento”. Convenhamos que as coisas não mudaram muito desde então.

* Atualização: na profecia 6, vocês verão como Senna, num carro ruim, se aproveitou das circunstâncias, que equipararam os equipamentos, para se sobressair!

Profecia 4: equipe para estrear com pódio

Depois de duas equipes de ponta, Senna testou o carro turbo da Toleman. A equipe, que sempre correu com pneus Pirelli, ainda não tinha um novo contrato com a fornecedora. Por isso, na época dos testes não sabiam se conseguiriam alinhar seus carros em 1984. Mas o que importa é que Ayrton fez sua melhor volta 1 segundo mais rápido do que o piloto oficial da equipe na qualificação de 83, com o mesmo carro.

“Sem dúvida não é um carro para ganhar corridas, ele não vai ter condições de competir contra uma Ferrari, uma Renault, uma Brabham, mas é um carro para subir no pódio, quem sabe já na próxima temporada” - Senna, após testar com a Toleman em Silvastone

“Sem dúvida não é um carro para ganhar corridas, ele não vai ter condições de competir contra uma Ferrari, uma Renault, uma Brabham, mas é um carro para subir no pódio, quem sabe já na próxima temporada” - Senna, após testar com a Toleman em Silvastone

Profecia 5: criando rivalidade

Depois de arrasar na F3 e também nos três testes na F1, já se cogitava a possibilidade de Senna estrear ao lado do campeão de 1983, Nelson Piquet, na Brabham. Mas o novato contrapôs a possibilidade quando questionado pelo repórter Reginaldo Leme, ainda no dia do primeiro teste, pela Williams, dizendo que não estrearia pela Brabham, “a não ser que o sr. Bernie Ecclestone (então dono da Brabham) resolver melhorar a oferta dele e chegar aonde eu acho razoável”.

Acho que muitos conhecem uma das mais belas disputas nas pistas de Fórmula 1: Nelson Piquet na Williams – que seria campeã de construtores – fazendo malabarismos para ultrapassar Senna, com sua Lotus, no GP da Hungria de 1986 (vídeo aqui, 1 minuto: http://www.youtube.com/watch?v=AeemlgJkjUs). Mais tarde, no documentário “A Era dos Campeões”, Piquet revelou o que aconteceu naquela ultrapassagem, demonstrando toda a rivalidade que existia entre os dois pilotos: “E aí eu freei, 30, 40 metros além do que eu precisava. Fiquei com o carro escorregando nas 4 rodas… Mandei um gesto bacana, mandei ele tomar no cu”. (confira aqui, a partir de 2:06 http://www.youtube.com/watch?v=-MUzG-2qq98)

A rivalidade, aqui demonstrada, começara em novembro de 1983, no quarto teste de Ayrton em um Fórmula 1. Ecclestone, animado com o teste, apostou com Piquet que Senna seria mais rápido do que ele. O então bicampeão (ainda conquistaria o tri em 1987) começou a se sentir incomodado, mas foi bem mais rápido do que os outros que testaram.

“Claro que eu seria mais rápido. Eu tinha acabado de ser campeão mundial naquela Brabham. Se um cara que estava conhecendo o carro naquele dia conseguisse me superar, era hora de fazer a mala e ir embora para casa”, disse o sincero Piquet

“Claro que eu seria mais rápido. Eu tinha acabado de ser campeão mundial naquela Brabham. Se um cara que estava conhecendo o carro naquele dia conseguisse me superar, era hora de fazer a mala e ir embora para casa” - disse o sincero Piquet

Profecia 6: os pneus da profecia 4

A Toleman ainda sofria de falta de dinheiro para fazer bons contratos com fornecedores de pneus. Para a corrida de Mônaco de 1984, a sexta da temporada, compraram pneus Michelin da “safra” de 1983 – rendiam bem em pista molhada, mas nem tanto no seco.

A McLaren fez a pole com Alain Prost, mas se desesperou ao ver a chuva. A equipe, que ainda contrataria Senna, usava Michelin, e não gostou que a empresa tivesse lhe enviado apenas pneus de 1984, que eram piores na chuva.

Essa confusão de pneus e chuva, justamente em Mônaco, veio a calhar para Ayrton. A pista fechada praticamente igualou os carros quanto à potência de motores. A diferença estava no braço – e nos pneus antigos.

Profecia 7: o rei de Mônaco

Senna largou em 13º. Atrás dele partiram carros da Brabham, Williams e seu companheiro, Johnny Cecotto, em 18º. Após a largada, as duas Renault (5º e 6º) bateram. Senna completou a primeira volta em 9º. A McLaren de Niki Lauda, que largara em 8º, foi ultrapassada por Senna ainda antes de a chuva aumentar. Depois disso, domínio do brasileiro que se aproximava do líder (da prova e do campeonato) Alain Prost, na outra McLaren, de modo assustadoramente veloz.

A prova foi encerrada precocemente devido ao perigo de acidentes por conta da forte chuva. Assim como hoje, a regra daquela época definia que, nesse caso, as posições válidas seriam as computadas uma volta antes de encerrada a prova. Com a euforia, Senna nem se lembrou disso e chegou a comemorar a vitória quando cruzou as bandeiras quadriculada e vermelha (sinalizando o fim prematuro) à frente de Prost, que parou antes de cruzá-las.

Senna cruzou a bandeira na frente de Prost, mas não venceu. Com uma vitória na Lotus e cinco na McLaren, Ayrton se tornou o maior vencedor de Mônaco, liderança absoluta mantida até hoje

Senna cruzou a bandeira na frente de Prost, mas não venceu. Com uma vitória na Lotus e cinco na McLaren, Ayrton se tornou o maior vencedor de Mônaco, liderança absoluta mantida até hoje

¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬

* Quer saber quais foram as outras corridas com os pontos pela metade? Leia:

http://www.blogdocapelli.com.br/2009/04/gp-da-malasia-e-o-5-da-historia-com-pontos-pela-metade/

* Quer ver mais fotos e detalhes que serviram de fonte para este post? Leia:

http://f1nostalgia.blogspot.com/2008/09/o-que-voc-esta-fazendo-ai-ayrton-senna.html (Senna na Williams)

http://f1nostalgia.blogspot.com/2008/09/o-que-voc-esta-fazendo-ai-ayrton-senna_24.html (Senna na McLaren)

http://f1nostalgia.blogspot.com/2008/10/o-que-voc-esta-fazendo-ai-ayrton-senna.html (Senna na Toleman)

http://f1nostalgia.blogspot.com/2008/10/o-que-voc-esta-fazendo-ai-ayrton-senna_10.html (Senna na Brabham)

* Quer ver o documentário “A Era dos Campeões” completo? Acesse (10 partes):

http://www.youtube.com/view_play_list?p=003EDE106505C596

* Quer ver os testes de Ayrton Senna na Williams, McLaren e Toleman? Assista:

* Quer ver a corrida de Mônaco, 1984, completa? Acesse (7 partes + entrevista com Senna após a prova):

http://www.youtube.com/view_play_list?p=E9A3E815B05E5BE0

Anúncios

Read Full Post »

Toca aí

Sexta-feira, dia 24 de abril de 2009. Estava em horário de trabalho, mas ele parecia ter tirado uma folga. Nenhum e-mail, telefonema ou presença (in)esperados.

Ler notícias, ver fotos, blogs… ah, e o computador começa a ficar chato. Momento ideal de sair, esticar as pernas e sentir o ar (condicionado) de outro ambiente.

Banheiro

No mesmo prédio, trabalham os futuros jornalistas e publicitários que, em breve, terão seus trabalhos amplamente conhecidos. [sonhando!]

Não sei se os futuros publicitários veem as publicações feitas no andar de baixo, mas desde cedo nós vemos o trabalho deles. Ações bem planejadas, admito.

Desta vez, entrei no banheiro e lá estavam uns papéis em locais onde não há como não olhar. “Bem pensado…!”, falei sozinho.

Zíper, alívio.

No meio da “aliviada”, começo a rir. A risada aumenta mais ao pensar o que iriam pensar se me vissem naquela situação rindo daquele jeito – sorte que ninguém apareceu!

Hora de voltar pro trabalho. “Puxa, eles foram criativos colocando esse duplo sentido aí!”

Mas parece que não foi essa a intenção deles. O humor veio de brinde, mesmo.

Documentando

Alguns dias depois, voltei ao banheiro para tirar a foto e registrar aquela pérola. O equipamento utilizado foi a microcâmera super discreta da srta. Dayse (obrigado!).

A emoção de bater uma foto nunca foi igual. Foi mais ou menos… “pu*a mer*a, tomara que ninguém me veja ajoelhado batendo uma foto dentro do banheiro!!!”

Chega de historinhas… Segue a obra de arte para vocês!!!

Legenda

No meio da “aliviada”, começo a rir. Mas o humor veio de brinde...!

Read Full Post »

%d blogueiros gostam disto: